quarta-feira, 12 de maio de 2010

9 dias com o iPad: a despedida


O que é o que é, que se você tem vai gostar, mas se perder não vai lamentar?
Resposta: iPad


Graças ao grande amigo, prof. José Finocchio, foram 9 dias de convivência intensa com o iPad. Ele, o iPad, foi embora na segunda-feira, há dois dias. Esperei até hoje para poder avaliar a perda: zero.

Ter um iPad à disposição é algo delicioso, principalmente navegar na internet. E-mails também é bom, mas se os seus e-mails envolvem arquivos, como em muitos dos meus, a coisa muda de figura. Para leitura do arquivo, tudo corre bem, desde que você tenha baixado a suíte iWork: Pages (Word da Apple); Keynote (PowerPoint da Apple) e o Numbers (Excel da Apple). A adaptação da suíte para o iPad é espetacular, muito fácil editar os programas apenas com os dedos. A Apple está de parabéns! O grande problema é o teclado virtual. Sinto-me confortável em falar dele, pois sou fã do teclado virtual do iPhone. Só que no iPhone você consegue segurar o mesmo e teclar, rapidamente, com o dedão da mão esquerda e da direita. Mas, o teclado do iPad não permite isso. O iPad é muito pesado para se tentar fazer o mesmo; e a distância entre a sua mão e as teclas do meio é enorme, obrigando você a apoiar o iPad para poder teclar. Aí surge outro problema. No teclado normal, como nesse que eu digito agora do iMac, eu digito com os dez dedos e em alta velocidade, pois o teclado tem a distância certa para os dedos. No do iPad, tanto no modo retrato - o pior - quanto no modo paisagem - menos ruim - o teclado tem um afastamento muito menor do que o afastamento normal de um teclado de computador. Resultado, só há um jeito de digitar: cata milho... Dessa forma, apesar da suíte iWork - custo total de US$29,97 - ser espetacular, se o seu trabalho exige muita digitação você tem de usar um teclado bluetooth. E para usar um teclado bluetooth você precisa apoiá-lo em uma mesa e a mobilidade e conforto do iPad vão embora.

A grande surpresa é a bateria! Testei mais de uma vez em condições de alto consumo, como vendo vídeos, e ela dura mesmo as 10 horas apregoadas pela Apple. Ter à mão um dispositivo que está sempre carregado e pronto para ser utilizado é uma vantagem que não pode ser subestimada. A bateria é show.

Nestes 10 dias testei o iPad em condições de sala de aula. A projeção de slides utilizando o Keynote (PowerPoint da Apple) se processou sem qualquer problema, desde que você não esqueça de adquirir o cabo de conexão VGA - +US$29.99. Mas, houve alguma vantagem em usá-lo em sala de aula? Sinceramente, não! Você consegue projetar os slides do Keynote, que foram importados dos de PowerPoint sem qualquer problema, mas não consegue projetar uma planilha do Numbers e nem um texto do Pages. As únicas coisas "projetáveis" no datashow são: fotos, vídeos, podcasts e slides do Keynote. Como trabalho muito com planilhas no data show, e as mostro e edito junto com os alunos, o iPad fica muito aquém do que eu preciso em sala de aula. Outro problema sério é que você vai querer importar os slides para dentro do iPad e a maneira de fazê-lo é através do envio por e-mail para o iPad. Se o arquivo tiver alguns megabytes, esqueça. Não vai funcionar! Você pode utilizar o iWork.com, site da Apple onde você pode postar o seu arquivo através de um upload e depois baixá-lo para o iPad, mas isso vai lhe custar o registro no Me.com da Apple - US$99.00/ano. Pode tentar através de outros sites também, mas a operação não será igualmente user friendly. O Dropbox é uma boa pedida - www.dropbox.com

O iPad fica devendo muita coisa para poder substituir o notebook. A Apple teve o cuidado de não canibalizar sua linha de MacBooks. Desta maneira, durante os nove dias não consegui prescindir do meu MacBook. Para os professores da FGV, um agravante: a necessidade de acesso aos sistemas do Siga e SGP que só podem ser feitos através de Windows e que o faço no MacBook usando o Parallels 5.0 juntamente com o Windows 7, o grande acerto da Microsoft. Resumindo, o iPad não substitui, nem chega perto, o MacBook, ou outro notebook.

O iPad não substitui o iPhone tão pouco, pois ele não é um telefone e nem tem a mesma portabilidade. Como já havíamos dito em outra postagem, o iPhone é essencial, o MacBook também, mas o iPad é perfeitamente dispensável. Isso não quer dizer que você não deva comprar um iPad. Ele é puro lazer e prazer, principalmente no que tange a nagegação na Internet e vídeos. O iPad tem nos vídeos e na Internet seu ponto forte.

Alguns aplicativos para iPad também dão show. Sem dúvida os aplicativos essenciais são os da suíte iWork da Apple. Primorosos: Pages, Keynote e Numbers. Não deixe de baixar. Os aplicativos para iPhone até funcionam no iPad, mas é uma experiência frustrante, pois a definição da imagem quando ocupa toda a tela é pobre. Baixei alguns apenas para avaliação. Dessa forma, se você tem iPhone, vai muitas vezes ter de gastar dinheiro duas vezes, para iPhone e para iPad. Cabe aqui mencionar dois aplicativos que no iPad são sensacionais e a preços módicos:

Bento - US$4.99: nome estranho para um aplicativo sensacional. O Bento é uma base de dados facilmente editável fabricada pela empresa FileMaker. O que pouca gente sabe é que a FileMaker pertence à Apple e, portanto, sua integração com o iPhone e com o iPad é espetacular. Eu o uso há muito tempo no iPhone, onde criei uma base de dados voltada para as minhas aulas. Mas, a tela pequena do iPhone deixa sempre um pouco a desejar. No caso do iPad ele brilha fantasticamente. Imperdível.

Penultimate - US$2.99: Esse eu não conhecia e o descobri através de uma resenha da Internet. Ele cria bloco de notas na tela imensa do iPad e você pode simplesmente anotar tudo usando seus dedos como caneta. Não dá para viver sem ele depois que você o experimenta.

Não posso deixar de mencionar a comparação do iPad com o Kindle. Não são comparáveis, são produtos totalmente diferentes e com propostas distintas. Fiz vários experimentos de leitura no iPad, por longos períodos - digo uma hora. Cansativo. Em um deles, em que passei de uma hora, minha vista ardia. Adoro ler na minha varanda que é fartamente iluminada. Com meu Kindle é um prazer, com o iPad é impossível. O iPad tem uma tela que não convive bem com ambientes fartamente iluminados, mesmo que a luz seja artificial, caso em que você tem que tomar cuidado. O perigo é você estar lendo, focando no centro da tela, enquanto em um canto há um reflexo de alguma luminária. O seu olho vai abrir para ler o texto e ser agredido pelo reflexo da lâmpada. Isso aconteceu comigo e o meu olho chegou a doer. Se for ler no iPad, certifique-se de que não há qualquer reflexo na tela. Resumo: iPad é para leitura marginal e, principalmente, para leitura de revistas e jornais, onde se lê pouco e se vê muitas figuras e fotos. Se o seu problema é de leitura intensa, a solução continua sendo o Kindle com sua maravilhosa tela que pode ser lida com qualquer luminosidade, pois imita quase que perfeitamente a página de um livro.

Bom, para encerrar, já são dois dias sem o iPad. Adorei a experiência com ele, mas não estou sentindo a menor falta. Pretendo comprá-lo no futuro? Muito provavelmente, mas sem pressa. Essenciais ainda são o iPhone e o MacBook.

Um comentário:

Adalberto disse...

Legal suas considerações Cristovão, estou na mesma linha de compra-não compra o iPad, pois uso muito em apresentações. Só não percebi se você chega a projetar páginas da internet pois uso site corporativo para trabalhar também.

Parabéns pela lógica de sua narrativa, para "financista" você é um ótimo redator!