quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A COMPLICADA ARTE DE VER


por Rubem Alves



Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria!



Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.



De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas.

Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro:

'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca.

Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".





Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.


William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.



Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.



"Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.







Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu:

"Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram".



Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática.

Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.



Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.



Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".



Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...



O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Tem cada uma...


Uma mulher apelou e colocou um anúncio no Craigslist pedindo ajuda para um problema... diferente:

"Eu sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. (...) estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso? Vocês poderiam me mandar algumas dicas? Eu namorei um homem de negócios que ganha por volta de 200 a 250 mil. Mas eu não consigo passar disso. 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West. Eu conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego no nível dela? "

Sim, a mulher estava pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Mas isso não é o mais legal, o melhor da história é que um cara, possivelmente um economista ou investidor, deu a ela uma resposta tão bem articulada e fundamentada que eu não resisti e tive que traduzir tudo pra postar aqui:

"Eu li seu anúncio com grande interesse e pensei com cuidado sobre seu dilema. Fiz a seguinte análise da situação:

Primeiramente, não estou gastando seu tempo, pois me qualifico como um homem que atende seu orçamento; ou seja, eu ganho mais de 500 mil por ano. Isto posto, eu considero os fatos da seguinte forma:
Sua oferta, quando vista da perspectiva de um homem como eu, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Ótimo, fácil. Mas tem um problema. Sua aparência vai se acabar e meu dinheiro vai continuar existindo, perpetuamente... de fato, é bem possível que meus rendimentos aumentem, mas é certeza absoluta o fato que você não vai ficar nem um pouco mais bonita!
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como esta depreciação sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar gostosa pelos próximos 5 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. Então o fim de sua aparência começa cedo. Aos 35 anos você já estará acabada!
Então, usando o linguajar de Wall Street, nós a chamaríamos de "trading position" (posição para comercializar), e não de "buy and hold" (compre e retenha) - que é o que você deseja... daí o problema... casamento. Não faz sentido, do ponto de vista de negócios, "comprar" você (que é o que você quer), portanto prefiro alugá-la. Se você estiver pensando que estou sendo cruel, eu tenho a dizer o seguinte: Se meu dinheiro vai se acabar, você também vai. Então, quando sua beleza se esvair eu tenho que ter uma opção de saída. É simples assim. Um negócio razoável, portanto, é um namoro, e não casamento.
Paralelamente a isso, bem no início da minha carreira me ensinaram sobre mercados eficientes. Assim, eu me pergunto como uma garota "articulada, com classe e maravilhosamente linda" como você ainda não achou seu tio Sukita? Acho difícil acreditar que você é tão bonita quanto diz e que os 500 mil dólares ainda não te encontraram, nem que fosse pra um "test drive".
Por sinal, sempre há um jeito de você descobrir como ganhar dinheiro por conta própria, para que não precisemos ter essas conversas difíceis.
Com tudo isso dito, devo dizer que você está tentando da maneira certa. É a clássica "capitalização via golpe do baú". Espero que tenha sido útil e, se quiser negociar um contrato de aluguel, fale comigo".

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Tudo é relativo: PIADA

Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua última paciente que não chega.
Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá mais e resolve tomar um gin
tônica para relaxar, antes de enfrentar o trânsito e voltar para casa.
Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando
toca a campainha. É a tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil
desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico (paulista com certeza).
- Olhe, eu estava tomando um gin tônica enquanto a esperava. Quer
um também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório.
O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:


- É minha mulher! Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as
pernas, senão ela pode pensar bobagem!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Piada: A Loira ataca!


Uma Loira comenta sua situação aflitiva com um amigo, crente da Igreja Universal:

- Estou numa maré braba. Estou sem crédito na praça, devendo pra todo mundo.
Não vejo solução. Já pensei em me matar. Estou desempregada e sem dinheiro, cheia de contas e carnês atrasados. Não há nada que dê jeito nessa situação.
Já perdi a esperança! Acho que já estou doente e vou morrer mesmo..."

O religioso: - "Calma ! Não é nada disso ... Você precisa de ajuda espiritual. Você conhece a minha igreja? Pois é, na quarta-feira, tem uma Sessão de Descarrego, onde todos são curados ou aliviados, com uns 318 pastores e muita fé. Vai lá . Vamos te salvar !"

Na quarta-feira, a loira vai.

No meio do culto é chamada ao altar e, entre outros desesperados, um pastor a agarra e brada:
- "Sai desse corpo, demônio! Disaloja! Esse corpo não te pertence! Em nome de Jesus, te afasta desta alma boa !!!

E colocando a mão em sua testa, brada:
- "Estou ordenando: Em nome de Jesus, disaloja! ... disaloja! ...

- "... ESSE CORPO NÃO TE PERTENCE... DISALOOOOOJA!



E a loira:

- "Casa Bahia!!! Lojas Americanas!!! Ponto Frio Bonzão!!! C&A !!! Colombo!!! Pernambucanas!!! Marisa!!! Fininvest!!! Ibi !! Losango!!!...

OPORTUNIDADE


Preciso da indicação de um Engenheiro Eletricista, com no mínimo 5 anos de experiência, para trabalhar na obra de ampliação do CENPES na Ilha do Fundão. Tem que ser morador da cidade ou região.



Trata-se de boa oportunidade.



Abraços,



Paulo R. Walter
Diretor de Inovação
www.manutencao.net
+55 41 9655-2200
NOVIDADE: Cadastro de Fornecedores da Manutenção - tudo num pulinho só. www.cangoroo.net/2007

Justiça decide: Esperma é propriedade da mulher:


Usar esperma para engravidar sem autorização do homem pode render um processo, mas não caracteriza roubo porque "uma vez produzido, o esperma se torna propriedade da mulher" . O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância para análise do mérito.


Nela, o médico Richard Phillips acusa a colega Sharon Irons de "traição calculada, pessoal e profunda" ao final do relacionamento que mantiveram há seis anos. Sharon teria guardado sêmen depois de fazerem sexo oral, e usado o esperma para engravidar. Phillips ainda alega que só descobriu a existência da criança quando Sharon ingressou com ação exigindo pensão alimentícia.


Depois que testes de DNA confirmaram a paternidade, o médico processou Sharon por danos morais, roubo e fraude. Os juízes da corte de apelação descartaram as pretensões quanto à fraude e ao roubo, afirmando que "a mulher não roubou o esperma", mas o caso por danos morais deverá prosseguir.

O colegiado levou em consideração o depoimento da médica. Ela afirmou que quando Phillips entregou seu esperma, deu "um presente". Para o tribunal, "houve uma transferência absoluta e irrevogável de título de propriedade e não houve acordo para que o depósito fosse devolvido quando solicitado".

Agora é oficial: os homens não mandam mais em porra nenhuma mesmo!

Noiva Horrorosa



Dois amigos conversando em um casamento:
— Sabe que eu não me conformo com essa noiva ?
— Por quê?
— Por que ela é horrorosa! Eu nunca vi uma noiva tão feia em toda a minha vida!
— Ah, é? Pois fique sabendo que ela é minha filha!
— Pô, me desculpe, por favor! Eu nunca pensei que você fosse o pai dela!
— Pai, nada! Eu sou a mãe dela!

O Sentido Capitalista


Um turista Americano em Tel-Aviv estava visitando o impressionante Auditório Mann e ia assistir a um concerto da Filarmônica de Israel. Ele estava admirando a arquitetura e a decoração moderna de todo o prédio.

Ele pergunta então ao guia e pergunta se o prédio tinha esse nome devido a Thomas Mann, o famoso autor de fama mundial.

-- Não, o nome foi dado em homenagem a Frederic Mann, da Filadélfia.

-- Caramba!!! Eu nunca ouvi falar dele. O que ele escreveu?

-- Um cheque!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Documentário de 1936 sobre o Rio: Sensacional !!!

Olhando o diploma


Já te aconteceu de sentires culpado(a) ao olhares para as pessoas da tua
idade e de pensar "não posso estar assim tão velho/a!"?

Então, vais gostar desta:

"Eu estava sentada na sala de espera, para a minha primeira consulta com
um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava pendurado na
parede. Ao ler o nome, de repente, eu recordei-me de um moreno alto, que
tinha esse mesmo nome. Era da minha turma de liceu, uns 40 anos atrás, e
perguntei-me se poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado?
Quando entrei no consultório, imediatamente afastei esse pensamento do meu
espírito. Este homem grisalho, quase calvo, e o rosto marcado,
profundamente enrugado, era demasiadamente velho para ter sido o meu amor
secreto...

Depois de me ter examinado, perguntei-lhe se ele tinha sido do Liceu D.
Duarte.

"Sim", respondeu-me.

"Quando se formou?", perguntei.

"1970." Porquê a pergunta?"," respondeu.

"Eh... bem... você era da minha turma ", exclamei.

E então aquele velho horrível, anormal, cretino, filho de uma p...,
perguntou-me:

"A Sra. era professora de quê?"

Novo leite na praça...

Primeiro comercial da Coca-Cola no Brasil

Será?

O Leão e a Flauta Mágica


A Flauta Mágica

Era uma vez um caçador que contratou um feiticeiro para ajudá-lo a conseguir alguma coisa que pudesse lhe facilitar o trabalho nas caçadas. Depois de alguns dias, o feiticeiro lhe entregou uma flauta mágica que, ao ser tocada, enfeitiçava os animais, fazendo-os dançar.

Entusiasmado com o instrumento, o caçador organizou uma caçada, convidando dois outros amigos caçadores para a África.

Logo no primeiro dia de caçada, o grupo se deparou com um feroz tigre. De imediato, o caçador pôs-se a tocar a flauta e, milagrosamente, o tigre que já estava próximo de um de seus amigos, começou a dançar. Foi fuzilado a queima roupa.

Horas depois, um sobressalto. A caravana foi atacada por um leopardo que saltava de uma árvore. Ao som da flauta, contudo, o animal transformou-se, ficando manso dançou. Os caçadores não hesitaram e mataram-no com vários tiros. E foi assim, a flauta sendo tocada, animais ferozes dançando, caçadores matando.

Ao final do dia, o grupo encontrou pela frente, um leão faminto. A Flauta soou, mas o leão não dançou. Ao contrário, atacou um dos amigos do Caçador flautista, devorando-o. Logo depois, devorou o segundo.

O tocador, desesperadamente, fazia soar as notas musicais, mas sem resultado algum. O leão não dançava. E enquanto tocava e tocava o caçador foi devorado.

Dois macacos, em cima de uma árvore próxima, a tudo assistiam. Um deles "falou" com sabedoria: - Eu sabia que eles iam se dar mal quando encontrassem o leao surdo.

Moral da história

· Não confie cegamente nos métodos que sempre deram certo. Um dia eles podem falhar...
· Tenha sempre planos de contingência.
· Prepare alternativas para as situações imprevistas.
· Preveja tudo que pode dar errado e prepare-se.
· Esteja atento às mudanças e não espere as dificuldades para agir.
· Cuidado com os ‘leões surdos’.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O judeu é mais inteligente?


por Gilberto Dimenstein

Em entrevista à Folha, o cientista político norte-americano Charles Murray disse que a genética seria uma das explicações para a suposta inteligência superior dos judeus. Será?

Na condição de judeu, não acredito nessa influência genética. Não é só porque, para mim, superioridade genética e barbárie se confundem na história. Mas, como alguém que trabalha com educação, acredito que exista uma cultura específica que ajude na projeção de um povo que, apesar de ter apenas 12 milhões de pessoas, tem 25% dos ganhadores do Prêmio Nobel.

O que existe entre judeus (e não só entre eles) é uma reverência obsessiva pelo conhecimento, que vem de gerações. É o chamado povo do livro. O rabino, a pessoa mais importante da comunidade religiosa, não tem força por ser um intermediário com Deus, mas por ser um intérprete das leis, ou seja, um intelectual. Livros sagrados são feitos de perguntas.

O ritual iniciatório do judeu não é matar um guerreiro ou passar por privações. Mas é ler um livro (a Torá). Ou seja, se quiser virar adulto terá de saber ler em pelo menos uma língua. O analfabetismo sempre foi muito baixo entre os judeus, o que assegurou uma rede de escolas.

A educação não é vista como uma responsabilidade apenas da escola. Mas, em primeiro lugar, da família e, depois, da comunidade. Educa-se em casa, na sinagoga e também na escola. Aprende-se, portanto, todo o tempo e em todos os lugares.

Como o judeu é o povo por mais tempo perseguido da história da humanidade, desenvolveu-se a sensação do desafio permanente. Isso se traduz na idéia de que o estudo é a melhor defesa --e também a coisa mais segura para ser carregada.

Nessa junção dos capitais humano e social, tem-se a receita não do desempenho intelectual de um povo, mas da força divina da educação, replicável por qualquer agrupamento humano.

Solteiro

Casado